19 de mai de 2008

D´alma

Que poder temos nós diante da vida? Somos nada. Conclusão que chego após esses dias, em que vejo as pessoas se desesperando sem poder mover um dedo para ajudá-las. Meu Deus, quão inuteis são as palavras! Não conseguem expressar a dor da gente, que os olhos mentem, mas um abraço denuncia pela força do coração que bate.

Isso não é um lamento. É um grito contido no interior da alma. Um grito de uma ave de rapina. Lúcida e intranquila.

Nada precisa fazer sentido aqui dentro. Não hoje, não agora. Só preciso de força para ser complacente. Contento-me em ser e acreditar. Mas quem acredita? Tu acreditas?

Chego a odiar minhas amadas palavras. Percebo que um léxico não é suficiente nessas horas. Aliás, não me será mais em hora alguma.

Talvez hoje seja um dia de nada. Dia em que as horas sejam sempre zero. Ou menos que zero. Existe algum número que seja menos que zero, que seja nada? Aonde tudo começa e tudo termina, que já era antes mesmo de ser e antes mesmo de sempre? Antes do verbo e de Deus?

Deus, Aquele que tudo pode. E quem mostra a nossa pequenez diante do poder d´Ele. Deus que pode salvar todas as pessoas que não tenho capacidade de ajudar. Deus que conforta sem as palavras impotentes perante a fé.

E eu que pensei poder confortar as pessoas com as palavras, vejo, agora, o tamanho da minha ousadia.
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"Através de meus graves erros - que um dia eu talvez os posso
mencionar sem me vangloriar deles - é que cheguei a poder amar.
Até esta glorificação: eu amo o Nada.
A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada.
E desta queda é que começo a fazer minha vida.
Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo.
Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai do nada."
(Clarice Lispector)

7 comentários:

Pitanga disse...

Minha linda, o importante é tentar se expressar...

Um abraço diz tantas coisas!

Beijos Docinhos,

Pitanga

Antônio disse...

Eu diria que o nosso poder diante da vida é imenso! O que acontece é que temos uma visão errônea e controladora das coisas. Queremos ser o diretor, ao invés de ator principal. Queremos dirigir, sem atuar.
Faz sentido, pois que graça tem atuar e não assistir? Esse é o nosso pensamento. No entanto, não nos damos conta de que nesse palco da vida o sucesso nunca é palpável, mas apenas perceptível.
No meio disso tudo, estão as palavras, aquelas que, quando ditas, mudam o rumo dos capítulos. Mas, como sempre, enquanto atores, não nos damos conta disso. Só vamos perceber após o fim da novela. E aí, pode ser tarde demais. Portanto, desencana, que Deus sabe o que faz. ;)

Beijão!

Srta Diazepan disse...

não desanime não... tem dias que a gente se sente assim mesmo, como se tudo tivesse errado.
mas passa :o)

bjo

Ju disse...

não acho ousadia...
acho até necessário
=)

esparadrapo disse...

mas suas palavras tem um poder delicado...
mesmo que sejam apenas sopros sutis na fogueira, ainda assim, refresca. obrigado pela visita. me passa seu msn? beijos

Mari Vianna disse...

O seu texto apareceu na hora CERTA pra mim, com palavras semelhantes. Acabo de postar o que sinto - nada bem - e até uso o termo "grito da alma". Me sinto aliviada em soltar tudo isso e ler o seu me faz sentir melhor, de alguma forma. De fato, somos NADA. Mas podemos ser sentro desse nada, pessoas pelo menos fortes. Suficiente.

Vou até adicionar nos links do meu blog.
cada dia me impressiona mais.

um beeijo

Biscoito Cósmico. disse...

adicionei seu blog faz alguns dias.
hoje, abri e fui escrever no meu.
e depois fui dar uma lida no dos outros.
e estou bem assim hoje: sem palavras.


se cuida ai.

:*