Domingo, 5 de Julho de 2009

Coração em formato de moldura

Esta foto fora um presente do filho mais velho daquela família de quatro pessoas dado à sua mãe às vésperas do seu embarque para a guerra. Aquela senhora sustentava o marido que deixou de trabalhar prematuramente devido a um acidente de trabalho que lhe custou o braço e nenhuma renda na aposentadoria; e ao seu filho mais jovem que sofria de uma doença para a qual nenhum médico, padre ou benzedeira havia dado solução. Era um mal do espírito, dizia.

O jovem soldado sabia dos riscos da sua carreira, mas não queria deixar somente sobre os ombros da mãe o sustento de mais duas bocas. Resolveu ser militar porque era a opção que lhe restava. Além disso, nutria a esperança que um filho no exército traria alguma orgulho ao peito do pai que tanto sofria com o seu próprio destino.

A foto emoldurada era o único registro que aquela senhora preservou de sua família. Dizia que era desta imagem que tirava suas forças, pois tinha a cerrteza de que seu o filho no quadro a acompanhava durante todo o tempo. Seu marido morreu antes mesmo de saber que o filho soldado jamais voltaria das batalhas. Seu filho mais novo a abandonou para encontrar o irmão, segundo ele mesmo contou antes de se jogar na frente de um caminhão. Por isso a senhora, que dantes sustentara o lar passionalmente não atirou aquela fotografia contra o chão quando recebeu a notícia de que seria impossível chorar sobre o corpo de seu filho mais velho, uma vez que recebeu apenas o seu coração em uma caixa. Inexplicavelmente, este teria sido o único orgão que resistiu a explosão que o vitimou. Ela aceitou aquele pedaço de carne com a esperança de que ele ainda estava vivo em algum lugar. E esperaria por ele.

Na noite em que se juntou aos seus, ela estava acariciando a fotografia - como fazia todos os dias -quando acidentalmente deixou que o quadro caísse no chão. E foi sob lágrimas que ajoelhou no chão sem se importar com os cacos de vidro que o acidente provocou e, como que em penitência, descobriu e leu a mensagem que seu filho mais velho havia escrito no verso da fotografia:

Querida Mãe,

Se esta lendo esta mensagem é porque jamais retornei da guerra. Por isso pedi ao fotógrafo que fizesse com que os meus olhos a acompanhassem sempre que olhasse para mim. Eu queria estar sempre junto da senhora, assim como trago toda sua força e carinho dentro de meu coração.

Sempre te amarei.
Seu filho.

Não foi a emoção ou tristeza que levaram a sofrida senhora. Tenho plena certeza de que aceitou partir da vida porque finalmente teve a confirmação de que não precisaria mais esperar por seu amado filho.

Domingo, 21 de Junho de 2009

Esperou a água começa a correr pra deixar a lágrima cair. Não apenas uma lágrima, mas milhares dela, saindo com tanta força dos olhos, como um vulcão em erupção. Era doloroso. Estava muito magoada. Não que o fim fosse realmente o fim da vida, mas ela estava habituada a ele, a voz dele, ao cheiro dele...

Ela só queria estar perto, dormir abraçada, ficar quietinha, sentindo o calor da respiração.

Mas ele não conseguiu. Não sabia confiar nas pessoas. E deixou tudo morrer, aos poucos. Tirando um pedacinho dela todos os dias. Com doses homeopáticas de veneno diário.

E a explosão das lágrimas aconteceu na hora do banho. Ela não queria mais chorar por ele. Ela não queria sentir aquilo que sentia. Aquele sufoco, como se a sua via respiratória fosse obstruída por alguma coisa cortante...

A boca se abriu o mais que podia, tentou respirar, suspirou. Sentia dor. Dor incurável, dor insuportável. Nenhum analgésico podia fazer aquilo passar. E ela não sabia o que poderia fazer pra não sentir.

Sem anestesia, tiraram seu coração.
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"Perto de você, eu não pude ficar.
Tente não me esquecer. Eu vou tentar sempre te amar."
[Bromélias, Bidê ou Balde]

Sábado, 20 de Junho de 2009

Abri portas e janelas para você entrar.
No entanto, você preferiu pular a cerca!!!

Sábado, 6 de Junho de 2009

Reticências

Fechado. É o que você está.
É a palavra dura que ressoa pela sua boca. A voz calma e doce tenta esconder a dor causada. Se acostumar não é amar.
Me escolha, me queira, me ame.
Não se acostume.

Eu quero você comigo. Eu quero você ao meu lado. Eu quero você.

Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Uma hora ou outra, todo mundo vai precisar parar, olhar para o céu e gritar:

- Volte, alma minha!