6 de jun de 2011

E ele continuou...

Há mais ou menos um ano algo aconteceu, e mudou o meu coração para sempre. Algo que vai preencher meu travesseiro para o resto de minha existência.

Duas frases que parecem exageradas, mas servem para expressar como pessoas podem fazer imensa falta em nossas vidas.

“Ele continuou, nós ficamos...” foi uma afirmação que minha mãe fez.

Então eu me questiono: até que ponto afirmar quem seguiu em frente e quem parou? Porque eu não parei. Eu não fiquei. E nunca vou ficar. Só caminhei em busca de meus sonhos. Embora ele estivesse incluso neles, eu não estava nos dele.

Penso que a perspectiva da minha mãe é um pouco nostálgica. É o olhar de alguém que enxerga somente a mudança dos outros. Como eu disse no texto “Metamorfose" nós estamos em constante mudança e não percebemos isso acontecer.

Não é sempre que me questiono aonde as pessoas foram parar, mas é lógico que bate aquela curiosidade. Por ser sensata, não vou sair removendo meu baú, causaria muitos estragos. Além do mais, a curiosidade não se estende a todas as pessoas porque, de certa forma, existem aquelas que nós fizemos questão de mandar embora. Falo das pessoas que nós, de alguma maneira, amamos; pessoas que marcaram nossas vidas para sempre.

Engraçado é perceber que o tempo não pode apagar tudo. Ele ameniza as dores, diminui as mágoas, e eu pensei que apagasse algumas paixões também. Vivo esperando o momento em que meu coração não dispare ao pensar no que passou, que eu não perca noites de sono esperando notícias, imaginando, tentando esquecer. Tenho feito um esforço danado para minimizar o que significou para mim, em vão.

Sinto que o inverno também ajuda a trazer à tona o que pensei estar bem guardado. Nesta estação do ano, em que as flores se vão e sobram apenas os espinhos, desejamos estar aquecidos e, talvez por isso, as paixões atingem o ápice: para aqueles que estão começando algo novo ou para aqueles que tentam, ansiosamente, finalizar um ciclo.

Às vezes penso que o inverno é muito longo. Pelo menos este será, porque eu gostaria que ele fosse como o último inverno brasileiro; porque eu queria sentir o calor que tive no inverno passado. Mas as coisas não são como eu gostaria que fosse. Elas nunca são. E talvez isso seja para o bem.

Quero me desfazer de tudo que o passado deixou em mim, inclusive do que foi bom. É que o bom, hoje, me traz saudade. E a saudade não me faz bem, pois é uma saudade que não vai morrer, só faz aumentar. A saudade de gente viva. A saudade de gente que poderia estar ao meu lado e se foi. A saudade de alguém que, para falar a verdade, se dependesse de mim, nunca teria partido.

Não sei o motivo do destino nos contrariar. Não sei por que dizem que não sabemos o que é melhor. Ou se sabemos, queremos abusivamente provar que não é nossa escolha. Que temos deveres, obrigações a serem cumpridas.

Vou me encontrar mais uma vez. Já fui em busca de mim em muitos lugares: campos humanos, campos espirituais. Às vezes nem sei que eu ainda sou. Mas sou.

Por enquanto...

Mantenho a esperança em algo que deveria morrer; mantenho alguém dormindo em meu travesseiro quando, na verdade, está muito distante de mim. E, quanto mais distante se faz o corpo dele, mais presente o sinto em meus pensamentos....

Definitivamente isso ainda não acabou... Ele ainda não foi embora. Não para mim, que não quero deixá-lo ir... que ando perdendo meu controle quando ninguém está vendo. A ressaca que jamais termina, a ressaca que está me consumindo, com o meu consentimento.

E o mundo continua girando...

"I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you two
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead"
(Adele, Someone Like You)



4 comentários:

Ju Fuzetto disse...

Lembranças trancadas no inverno. Adormecem na primavera. Acalmam no verão e no outono elas se expandem novamente dentro de nós. E fica aquela sensação de oco. Como se aquilo deveria ter sido pra sempre. Feito conto-de-fadas. Realização. Talvez pra nós que guardamos a doçura dos olhos de alguém, que constantemente volta a nos olhar. Ao menos na nossa imaginação.

Um beijo, lindo teu canto

Huguinho disse...

Incrível como me identifico com os seus textos!!!!
Como vc disse, vivemos em constantes mudanças e nem percebemos. Só percebi que mudei depois que perceberam por mim.
Concordo que o Tempo ameniza as dores e diminui as mágoas, entretanto, na minha opinião, quem controla a duração/ intensidade deste tempo é você mesmo ( e sei que não é fácil). O quanto deve se entregar aos momentos alegres ou tristes cabe a si próprio responder.
beijos, menina!

Schiavoni disse...

Justo releio-te, e justo escutava a música: "Mesmo que mude" da banda "Bidê ou Balde". Engraçado ter encontrado justo no momento...

Huguinho disse...

Não está postando mais????