23 de dez de 2008

Valeu, ano velho!

Dizem alguns – mui provavelmente por falta de assunto - que aos vinte e sete anos é que as coisas se resolvem na vida. Sedimenta-se tudo: de amizades a relacionamentos, de ideais a modo de vida. Os que já cumpriram sua missão partem (Hendrix, Morrison, Cobain...) e os demais descobrem seus caminhos.

Verdadeiramente, é muito confortável pensar assim tendo como cenário o ano de 2008. Neste período aconteceram muitas coisas que eu gostaria que fossem para sempre ou, ao menos, o prenúncio do que estar por vir. Um ano marcante, sem dúvidas, sobretudo pelo fato de ter conseguido, enfim, compreender a idéia de que a vida imita a arte.

Como se fosse um exemplo tirado do livro Téte-a-téte, em que uma amizade se prova resistente ao tempo e intempéries, em 2008 aprendi que nesse peito sedentário sempre há mais espaço para boas pessoas. E não importa se estão longe ou perto, muitas vezes a simples lembrança deles já me faz sentir melhor.

Neste ano também levei minhas capacidades ao máximo só para descobrir que “o máximo” não significa “o limite”. E que, mesmo sendo capaz de muitas coisas, não consigo disfarçar sentimentos. Como Pi Patel, a conviver com seu tigre por mais de 100 dias a deriva em um bote como conta o “A vida de Pi”.

Fernando Pessoa me ajudou a me aceitar – com meus defeitos e “desfeitos”, simplesmente porque a “Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive”. E Saramago, com seu “Ensaio sobre a cegueira”, me fez (sem trocadilhos) ver não é preciso deixar de crer na gentileza, mesmo que para a maioria isso possa parecer bobo. E que eu daria a vida três vezes para viver em um mundo de bobos que não brigam por uma vaga no estacionamento e não se empurram para entrar em um ônibus.

E assim, uma lição atrás de outra: ser implacável não significa ser ruim e que, em alguns casos você precisa aceitar uma decisão em benefício da maioria; perder alguém para lhe dar valor é tolice; pessoas comuns podem ser o que quiserem...

Cada uma das coisas lidas ou assistidas dava sentido ao que eu via diante dos meus olhos na chamada vida real. Todos esses exemplos desenhavam com caneta a certeza de que a arte existe para nos ensinar a viver e que só este caminho seria possível. Até que alguns acontecimentos do final do ano me mostraram que a vida também pode ajudar a compreender a arte. E foi apenas um sorriso que me fez entender as 302 páginas do “Travessuras da menina má” de Mário Vargas Llosa, que antes soavam exageradas para mim.

Um feliz Natal e um 2009 sedimentado!

2 comentários:

.Ná. disse...

Amei! Amei! Eu não teria feito tão bom assim!!
Um beijo
e que nosso Natal seja lindo e 2009 venha com todas as realizações que 2008 preparou!

Thiago Augusto" disse...

2008 foi cheio de transformações pra mim. um ano incomum! :|