7 de mai. de 2008

Consciência

Sempre acreditei que uma pessoa espera a outra, embora tenha me esquecido dessa crença nos últimos meses.

Nunca tive pressa e muito menos necessidade de encontrar alguém para ser meu, mesmo quando todas as minhas amigas encontraram essas suas respectivas pessoas. Eu me recusava a ir pra forca porque meia dúzia havia resolvido se enforcar. Mantive firme meus pensamentos. Meus planos e objetivos eram mais fortes que qualquer solidão ameaçadora. Aliás, nunca tive medo da Solidão. Ela se demonstrou uma fiel amiga quando precisei e não exige de mim aquilo que não posso dar: dedicação total.

Acho engraçado algumas pessoas que têm medo. Talvez o silêncio atormente um pouco, mas é justamente por isso que é super produtivo: nos faz refletir e chegar a boas conclusões.

No fundo, eu sempre soube que alguém esperava por mim com a mesma intensidade que eu o aguardava.

Só não imaginava que ele estava tão próximo de me encontrar...
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"Quantos dias eu ainda vou esperar?
E quantas estrelas eu vou tentar contar?
E quantas luzes na cidade vão se apagar?
Enquanto ela não chegar."
(Frejat, Enquanto ela não chegar)

6 de mai. de 2008

Durante a aula...

- Façam a atividade na página 64.
Três garotos entram na sala atrasados. Sentam na fileira do meio, mais pro fundo da classe. Passam-se 30 minutos.

- Vou passar olhando e tirando as dúvidas.

Alguns alunos fingem olhar pro livro. Os mais descaradso abrem o caderno.

- Menino, você nem tirou o caderno da mochila!

- Ah, professora... tá frio.

- Tá frio, você levantou da cama e veio pra escola pra não fazer nada? Ficasse na cama então! Agora, já que tá aqui, vai fazer...

- Tá bom...

- E, por sinal, você nem tirou a mochila das costas ainda!

Olhei pra cara dele e consegui enxergar o rosto daqueles burrinhos que ficam amarrados a uma cerca, com carga presa às costas.

3 de mai. de 2008

Os opostos se distraem, os dispostos se atraem

De uns tempos pra cá, comecei a duvidar da tal física, sobre elementos positivos que se repelem.

Na verdade, positivo atrai positivo. Essa é que é a coisa.

Quando passamos a acreditar que tudo vai dar certo, independente do tempo e da dor que sentimos, as coisas realmente começam a acontecer.

Em uma semana, muita coisa mudou na minha vida e nada me tira da cabeça que foi o positivismo que trouxe tudibom pra mim.

Maio, apesar do vento gelado e da escassez de idéias, começou com ótimas notícias.

Minha professora da especialização aceitou orientar minha pesquisa e, dessa forma, reavivou minha esperança de ter uma porta aberta ao stricto senso. Agora eu só preciso ultrapassar essa porta e fazer valer a pena. Dessa forma, vai-se exigir muito de mim e vou ter menos tempo de escrever... além das minhas idéias, que estarão voltadas interamente ao processo de aprendizagem das crianças esquizofrênicas e/ou autistas.

Com essas coisas acontecendo, não há possibilidade de me entristecer. Aos poucos, tudo vai caminhando pra realizar as 8 coisas que desejei antes de morrer e, quem sabe, eu possa acrescentar mais 8 e mais 8... e assim por diante.

Também quero dizer que, além dos projetinhos profissionais, tem alguém fazendo muito bem pra mim.

Às vezes, bate aquele aperto de saudade, mas eu sei que é por pouco tempo e logo haverá possibilidade de resolvermos tudo e qualquer coisa que estejamos dispostos a resolver.

Sei que esse post não tem nada de poético e muito de informativo, aliás, sobre a minha vida... coisa que não costumo fazer. Mas acredito que os meus queridos tenham percebido esses acontecimentos nas minhas entrelinhas, enquanto Cecília se colocava em narração.

Espero, do fundo do coração, que a minha poeticidade volte à tona e me deixe escrever novamente, sobretudo sobre Cecília e Laura, que precisarão sempre de uma história feliz, e que as ironias e acidez do nosso cotidiano não tomem conta daquilo que chamamos de felicidade.

Ótimo fim de semana e um golinho ácido sabor morango para todos vocês.

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"[...]E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
[...]
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
redignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
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Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consister
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém."
(Clarice Lispector, A lucidez perigosa)

2 de mai. de 2008

O tempo...

Vento gelado, garoa e muito frio. Não há como negar que Maio chegou e trouxe com ele meus dias de urso.

Com o frio, parece que minhas palavras estão se encolhendo como os músculos do corpo. Essa foi a 20ª vez que tentei escrever algo interessante sobre o passar do tempo e as minhas idéias não conseguiram se organizar.Só pode ser medo do frio...

Apesar dos meus vocábulos estarem ibernados, me mantenho feliz. Passo a acreditar em tudo aquilo sobre o que já duvidei um dia... Sim, eu voltei a sentir saudade e tá sendo 'bão demais'.

O que me alivia, de verdade, é saber que, em um dado momento, não precisarei mais pensar no que estou fazendo. Passarei a ser a letra, a tinta, o papel e a palavra.

Chegou o momento pelo qual esperei a vida inteira: ser lida.

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"A vida é uns deveres
que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ª feira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
Seguia sempre, sempre em frente...
E iria jogando pelo caminho
a casca dourada e inútil das horas."
(Seiscentos e sessenta e seis, Mario Quintana)
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Mesmo depois de tanto blá blá blá, desisti de falar sobre o passar do tempo porque ninguém conseguiria melhor que ele aí em cima, o 'eu passarinho'.
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Golinhos ácidos.